A busca pela diminuição das emissões de gases de efeito estufa devido as mudanças climáticas é crescente ano após ano no mundo todo. Sendo o setor de transporte um dos que mais contribui para essa problemática (CAPAZ, 2021), é cada vez maior o incentivo para o uso de biocombustíveis. A aviação faz parte desse setor e conta com o abastecimento quase que exclusivo de combustíveis fósseis (CORTEZ et al., 2014), que por sua vez possuem uma alta pegada de carbono e contribuem significativamente para intensificação do efeito estufa. Por esta razão, o presente trabalho apresenta por meio da avaliação de ciclo de vida e de análise de potencial de produção uma alternativa para produção de combustível sustentável de aviação com o propósito de contribuir com a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. O estudo considera oito cenários diferentes para o processo de produção, envolvento tipo de matéria-prima utilizada, integração energética e produção própria de hidrogênio. Os processos de produção se baseiam basicamente na obtenção de etanol a partir de eucalipto e resíduos de eucalipto, devido sua disponibilidade em âmbito nacional (IBÁ, 2018), através de hidrólise enzimática. O etanol seria então convertido à biocombustível de aviação a partir do processo Alcohol-to-Jet (ATJ), de onde obtém-se o bioquerosene de aviação. Como principais resultados, a Figura 1 tráz a pegada de carbono atribuída a cada cenário estudado para o processo de produção.
Figura 1 – Pegada de carbono e análise atribucional de cada etapa do processo de produção para os oito cenários estudados.
Fonte: Autor.
Através dos resultados obtidos e das análises realizadas é possível identificar um potencial de produção significativo, que representa 21% de toda a produção de querosene fóssil no Brasil, além de uma pegada de carbono média de 15 gCO2e/MJ, o que colabora para com o valor atribuído a esse tipo de tecnologia.