Giovani

Giovanni Lopes Pereira

Eng. de Energia

01/06/2021
31/05/2023

PRODUÇÃO ENERGÉTICA A PARTIR DA DIGESTÃO ANAERÓBIA DE DEJETOS BOVINOS

As altas emissões de gases do efeito estufa gerados pela atividade pecuária vêm contribuindo significativamente para o aquecimento global. A criação de bovinos foi responsável por cerca de 15% de todas as emissões no Brasil em 2019 (Observatório do Clima, 2020). O principal gás liberado pelo gado é o metano, que tem poder causador do efeito estufa 86 vezes maior do que o dióxido de carbono (). Esse gás é liberado, sobretudo, pela fermentação entérica, ou seja, a digestão de matéria orgânica que ocorre no rúmen bovino, e pela decomposição dos dejetos.

A grande quantidade de dejetos produzidos diariamente pelo gado gera uma necessidade de um método para o tratamento desse resíduo, o que evitaria, tanto a emissão de metano, quanto a poluição do solo causada pela má disposição do estrume. Assim, como uma alternativa para realizar esse tratamento e, além disso, produzir biogás e fertilizantes, há a digestão anaeróbia.

Processo metabólico complexo realizado por microrganismos que atuam em sintrofia, ou seja, uma espécie vive dos produtos metabólicos da outra. O processo de decomposição anaeróbia da matéria orgânica é dividido em quatro etapas segundo Kunz (2020), sendo elas a hidrólise, a acidogênese, a acetogênese e a metanogênese que ocorrem em sequência.

Assim, a matéria orgânica complexa é degradada pelos microrganismos, em que cada espécie que realiza uma etapa se alimenta dos restos metabólicos da espécie que realizou a etapa anterior, chegando, por fim, na produção do biogás, que é uma fonte de energia renovável.

As quatro etapas do processo estão evidentes na figura 1.

 

Desse modo, a presente pesquisa visa estudar desde uma óptica técnica e ambiental, a produção de biogás a partir da digestão anaeróbia do estrume bovino em um caso específico do estado de Minas Gerais.

FUNDAMENTOS DA DIGESTÃO ANAERÓBIA, PURIFICAÇÃO DO BIOGÁS, USO E TRATAMENTO DO DIGESTATO. Kunz, A. et al. Embrapa-Sbera, Concórdia-SC, 2020.

 

ANÁLISE DAS EMISSÕES BRASILEIRAS DE GASES DO EFEITO ESTUFA E SUAS IMPLICAÇÕES PARA AS METAS DE CLIMA DO BRASIL 1970-2019. Albuquerque, I. et al. Observatório do Clima – SEEG 8, 2020.