Atualmente, há uma busca constante por soluções alternativas à dependência de combustíveis fósseis em todos os setores da economia: energético, construção, transporte, industrial e agricultura. Todas estas esferas econômicas têm sido abastecidas há anos com produtos petrolíferos, o que tem desencadeado efeitos cada vez mais adversos em todo o mundo, e então, a mitigação do carbono tornou-se uma questão urgente nas atividades humanas.
Entretanto, a demanda energética global no setor de transporte parece continuar crescendo (40% até 2035), segundo as projeções da IEA (U.S. ENERGY INFORMATION ADMINISTRATION, 2018). Assim, os formuladores de políticas precisam colocar em prática medidas destinadas a limitar as emissões dos transportes de acordo com as estratégias de mitigação do aquecimento global pactuadas na 21ª Conferência das Partes (COP21) da UNFCCC, em Paris (OCAMPO BATLLE et al., 2021). Neste contexto, os biocombustíveis líquidos renováveis têm sido promovidos como uma forma viável e promissora de redução das emissões de CO2 do setor de transporte (NOGUEIRA et al., 2020).
Nesse cenário, a produção conjunta de combustíveis de baixo carbono, bioenergéticos e outros bio-produtos fazem a transição para uma bioeconomia verde, que também fornece a base para uma economia circular (VENTURINI et al., 2020). De fato, no Brasil, os incentivos para expandir o uso de biocombustíveis e bioenergia não são novidade, desde a década de 1970, eles são colocados em prática, particularmente no setor sucroalcooleiro. Entretanto, o maior desafio para o setor energético brasileiro, contexto que inclui o setor sucroenergético, é continuar aumentando a produção de bioenergia, tendo em vista as projeções de crescimento de longo prazo da demanda energética e os compromissos climáticos prometidos no Acordo de Paris.
Portanto, o governo brasileiro colocou em ação em 2020 uma nova Política Nacional de Biocombustíveis, nomeada RenovaBio, que promoveu mecanismos para proporcionar incentivos financeiros, desenvolvimento e descarbonização (SALINA; DE ALMEIDA; BITTENCOURT, 2020). Diante disso, é necessário realizar pesquisas técnicas, econômicas e ambientais que apresentem os potenciais existentes na diversificação de energéticos nas atuais cadeias produtivas.
Nessa situação, é necessário desenvolver alternativas e hipóteses complexas a fim de criar modelos criativos e inovadores. Por conseguinte, o projeto propõe a construção e avaliação (desde as óticas técnicas, econômicas e ambientais) de diferentes modelos energéticos, com o propósito de aprofundar nos temas de sistemas de produção integrada e tecnologias avançadas de geração a partir do uso de energias renováveis.